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No episódio de hoje temos a visita a duas grandes cidades: Boston e Nova York; e uma pequena também no estado de NY: Rochester. Em Bostom, a ideia de trombar o Noam Chomsky (pra dizer que Foucalt ganhou aquele debate – brinks) e em Nova York a façanha de termos ocupado por duas noites um apartamento vazio no Brooklyn. Foi mais ou menos assim…
Chegamos em Boston no dia 13 a noite e tivemos o dia 14 livre até a noite para ir para a atividade. Dentre as possibilidades de role, havia o Massachusetts Institute of Technology (MIT), onde há uma exposições de tecnologia e robótica e também onde trabalha o famoso linguista e anarquista Noam Chomsky. E dizem que também é a instituição onde foi criada a tal da internet. O tio Chomsky já se aposentou mas está sempre por lá como membro honorário e bonachão. Disseram que normalmente é fácil encontrá-lo no refeitório ou corredores da universidade. Mas já estávamos no rolê há alguns dias nesse verão brabo e precisávamos lavar algumas roupas. Assim, não fomos ao MIT. E não existe esse negócio de natureza humana.

 

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Então à noite fomos ao Encuentro 5, um escritório compartilhado por vários movimentos sociais da cidade ligados à várias diferentes lutas. Muitos dos membros do coletivo anarquista que organizou o evento são imigrantes, o que aumentou ainda mais a pluralidade do nosso grupo que já é composto por 5 gringos, cada um de um país.

Na manhã seguinte fomos para a mais celebrada e esnobe cidade do mundo: Nova York! Chegamos no Brooklyn para encontrar nossos anfitriões em uma pizzaria cooperativa e vegana. Comemos e tivemos a boa notícia de que não precisaríamos mais nos separar em 2 casas (em NY tudo é mais apertado). Havia um apartamento vazio no prédio acima da pizzaria, com colchões pra todo mundo. Então, praticamente podemos dizer que ocupamos um ap por duas noites em NY. Fuck da police!
Nada poderia ser mais perfeito, pois ficamos na cidade dois dias para realizar dois debates. Sendo que uma parte do grupo se juntou para realizar uma atividade diferente compartilhando experiências sobre o movimento Ocupa na Suécia, Eslovênia e Argentina.

O debate sobre Ocupações foi no Museum Of Reclaimed Urban Spaces (algo como Museu dos Espaços Urbanos Retomados ou Ocupados). É um prédio na parte oeste de Nova York que foi ocupado e hoje tem concessão do governos para funcionar sem o risco de despejo. O primeiro andar e o porão são um espaço para eventos diversos e contam com um acervo de fotos, vídeos que preservam a memória e contam a história de espaço que foram tomados pelas pessoas para a realização de projetos comunitários: parques e terrenos onde foram feitas hortas públicas, casas e prédios ocupados para moradia ou temporariamente. Algo muito interessante em um país onde, assim como no Brasil, é muito difícil ocupar e manter espaços desafiando a lógica da propriedade privada. A atividade foi bem legal e pessoas que moram nos projetos de habitações da região estiveram presentes e interviram com suas próprias experiências locais.

No dia seguinte, 16 de setembro, realizamos nosso painel tradicional em um espaço anarquista no Brooklyn, chamado La Base. Um centro social anarquista bem charmoso que tem uma horta na porta, bem no meio da calçada, uma pequena biblioteca que leva o nome da anarca-feminista Lucy Parsons, conta com cursos de espanhol estudando textos libertários, abriga atividades e muitos materiais da Cruz Negra Anarquista de Nova York, que realiza vários trabalhos de apoio a anarquistas e ativistas que estão atrás das grades partindo de uma perspectiva abolicionista. A atividade foi uma das mais cheias e dos debates mais animados até então.

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Depois de mais uma noite bem dormida no apartamento recém ocupado, seguimos para fora das regiões metropolitanas. Fomos fazer o debate na cidade de Rochester em um espaço chamado The Flying Squirrel Community Space (Espaços Comunitário Esquilo Voador). Pra quem acha que nome bizarro pra espaços libertários é coisa de brasileiro… tá aí.

O Flying Squirrel é um casarão enorme e comprado coletivamente por um grupo bem diverso de anarquistas. Mas a maioria do pessoal está mais ligado à corrente Plataformista – o que seria o equivalente à linha Especifista do Brasil e da América do Sul. Vimos uma plateia mais diversificada, inclusive com famílias inteiras e até um brasileiro que colou por lá pra praticar o português.

O espaço tem várias salas para reunião e um escritório para diversos usos de grupos ativistas, como o Centro de Mídia Independente da cidade.

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Dia seguinte, saímos sentido Buffalo e Columbus. Mas antes uma parada para um piquenique nas Cataratas no   Niágara, na divisa entre Estados Unidos e Canadá! Vista incrível da força da natureza que recarrega nossas energias e descansa a mente de tanto ver estrada e prédio – se bem que em frente às cataratas tinha mais prédio…aff.

Para ir à base da catarata, perto de onde a água cai faz aquela chuva que molha todo mundo, é preciso pagar 40 dólares. Mas brasileiro é foda. Anarquista e vandalista então. Pulamos umas cercas e bancamos os turistas perdidos até ganhar um passeio de graça no elevador que vai até a altura da base da queda dágua. Uhull!

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Por enquanto é isso. Em breve outros relatos sobre espaços e comunidades libertárias inspiradores ou paisagens imponentes que encontramos no caminho em Buffalo, Pittsburg e Columbus. Daqui a alguns dias estaremos em Detroit! A cidade fantasma e apocalíptica dos EUA. Fica de olho aí!

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