10_chicagoeetCompletamos agora um mês na estrada, mas ainda temos mais 34 dias de role! Tem sido muito intenso e as viagens estão maiores, com quase nove horas de duração. O que demanda muito tempo e energia, logo temos escrito menos. Visitamos alguns lugares históricos, como o local onde anarquistas foram mortxs em Chicago e que deu origem às celebrações do 1º de Maio, além do cemitério da cidade onde há um memorial que lembra essa tragédia e onde estão célebres anarquistas como Emma Goldman e Lucy Parsons e também vimos a primeira ocupa da viagem!

Passamos por muitos espaços diferente nessas semanas. Como a ideia de fazer esse diário de viagem tem mais a ver com descrever lugares inspiradores, como centros sociais, livrarias e cooperativas anarquistas, não precisamos entrar em detalhes sobre- alguns lugares que não entram nessa lista. Mas podemos dizer que, mesmo não fazendo o debate em algum espaço genuinamente dedicado às lutas anarquistas, os eventos estão sendo organizados por pessoas muito interessantes que compõem essa grande rede/comunidade anarquista norte-americana e que se desdobram para arranjar algum lugar onde podemos sentar e trocar experiências com pessoas novas e interessadas em se envolver.

Em Kalamazoo, Michigan, falamos num espaço comunitário de uma igreja local, onde grupos queer/negrxs organizam algumas atividades. Em Grand Rapids, também em Michigan, falamos num ateliê muito legal e quem organizou foi o pessoal do jornal anarquista-verde Black Seed. Em Milwalkee, Wisconsin, falamos numa livraria auto-gerida e anarquista.

20150927_171039 20150927_171059E, finalmente, falamos em uma ocupação em Chicago, uma das poucas okupas dos EUA e a primeira que vimos na viagem. O espaço é enorme, com 3 andares, e um porão que conta como um andar. Tanto a casa quanto vizinhança é composta, em grande parte, por imigrantes mexicanxs e foi legal poder praticar o espanhol um pouco com a galera. Na semana anterior houve um evento em memória de 43 companheirxs desaparecidxs pela polícia mexicana na cidade de Ayotzinapa. Após dias falando para pessoas não muito familiarizadas com ideias anarquistas, foi legal encontrar um espaço onde há um pouco mais de acúmulo para aprofundar alguns temas. Levamos o debate para o quintal da ocupa, onde há um jardim, pois estava calor. E foi perfeito porque ao fim da palestra percebemos que o fenômeno da lua vermelha que todo mundo falava estava no seu auge. Uma noite mágica.20150927_132426

No final, pessoas presentes se deram conta de que a atividade era o maior evento e a maior concentração de anarquistas na cidade em muitos meses. O que foi ótimo pois parece que o evento deu um empurrão para muita gente se reunir e talvez dali surja algumas coisas. Foi legal ouvir isso pois deu a sensação de que essa tour realmente tem motivado as pessoas.

E quando chegamos em Chicago, horas antes da atividade, pudemos fazer esse passeio histórico visitando o cemitério onde estão as sepulturas de Emma Goldman, Lucy Parsons, Catherine de Claire e muitas outras figuras importantes da luta anarquista e operária do início do século XX. Além disso, há um grande monumento que lembra o massacre no distrito de Haymarket que deu origem. Aproveitamos para deixar alguns livretos do Para Mudar Tudo em inglês ali, para visitantes que passarem poderem pegar e passar adiante.

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Mais tarde, visitamos o local exato da tragédia onde, no dia 4 de maio de 1886, um protesto foi organizado por anarquistas após a morte de operários no dia anterior. Alguém da multidão jogou uma dinamite na polícia, matando sete policiais e quatro pessoas. Quatro organizadores do protesto foram condenados à morte por enforcamento uma vez que nenhum culpado foi encontrado. Outros três foram presos, sendo que um morreu na prisão e outros dois “perdoados” pelo governador do estado em 1893, que alegou que tanto os presos quando os executados eram inocentes e não havia provas contra eles. Um monumento aos policiais mortos foi erguido no local da tragédia, mas ao longo das décadas ele foi explodido e totalmente destruído três vezes em protestos durante o primeiro de maio. A solução foi colocar um monumento dentro das instalações da polícia e deixar no local apenas o monumento dedicado a memória de trabalharxs mortxs e à luta anarquista.

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Muitos inspirador ver essa história viva e ver o local. No próximo post, nosso contarei nosso passeio pelas ruas de Ferguson, visitando os locais dos conflitos e as marcas do fogo e do chumbo que ficaram pela cidade.

 

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