NotaMapa

Olá!

Recebemos alguns comentários, críticas e sugestões após a publicação do Novo Mapa de Iniciativas Libertárias no site do projeto Para Mudar Tudo (paramudartudo.com). E gostaríamos de prestar alguns esclarecimentos e propor algumas sugestões. Além de pedir mais dicas e colaborações!

NENHUMA NOVIDADE

O Mapa não é nenhuma novidade nem uma invenção nossa. É apenas uma nova versão de uma ferramenta que já existe: listas e mapas de projetos abertos que QUEREM estar acessíveis a um público anarquista ou não. Basta ver que nosso mapa não é nem mesmo o primeiro nem o único circulando por aí. A agenda Slingshot divulga há décadas uma lista com espaços autônomos de cada país. Alguns de nossos membros do coletivo estão envolvidxs com esse tipo de espaço há mais 15 anos e muitas pessoas de diferentes cidade (e países!) bateram em nossas portas por causa desse tipo de lista para conhecer, somar e fortalecer laços. Se não houvesse essa lista, a polícia continuaria sabendo de nossa existência e nosso endereço, mas essas pessoas não.

E SUA CULTURA DE SEGURANÇA?

O que estamos fazendo com o Mapa de Coletivos condiz totalmente com nossa política de segurança e (acreditamos) com a de quem está no Mapa. Em primeiro lugar, não simplesmente saímos adicionando grupos sem perguntar. Pelo contrario, o que tem acontecido é que enviamos convites e os coletivos nos escrevem para serem adicionados! Não colocaremos dados de grupos que não pediram para estar lá. Inclusive os grupos que constam com endereço lá, tiveram seus dados e endereços enviados diretamente para nós para serem adicionados. E agora com o mapa, o trabalho ficou mais fácil porque as pessoas podem adicionar seus grupos, e apenas ficamos com o trabalho de “moderar”, caso seja um partido, um grupo fascista, etc. Caso algum grupo tenha sido adicionado sem o consentimento dos seus membros (se foram adicionados através e-mails de pessoas que não participam do grupo ou seja por quais motivos forem), ou quando decidirem não fazer mais parte por qualquer razão, pedimos que entre em contado imediatamente e retiraremos seu contato do mapa.

O e-mail é: paramudartudo@riseup.net

MAS UM MAPA NO GOOGLE?

Sim, infelizmente -_-‘

Estamos tentando melhorar isso. Testamos inúmeras plataformas ótimas, desenvolvidas em código aberto e software livre mas essa foi a única que funcionou no site do projeto. E é hospedada em um mapa do Google. Continuamos nossa busca e sugestões serão sempre bem vindas. Não somos profissionais pagxs para escrever, gerir páginas ou sites, fazer vídeos ou eventos. Fazemos tudo isso porque queremos e com as soluções que encontramos e carregando os defeitos que ainda não pudemos corrigir. Mas é sempre um trabalho incompleto a ser sempre melhorado.

E o fato de ainda usarmos uma ferramenta do Google para esse mapa não é “escondido” de ninguém e esperamos que as pessoas se sintam à vontade para aderir ou não. Mas o que tem acontecido é o contrário: cada dia mais coletivos se inscrevem no mapa.

E NÃO DEVEMOS SER TODXS INVISÍVEIS?

Talvez alguém pergunte: mas não seria burrice ou um “desserviço”, não apenas fazer um mapa, mas que todos esses grupos estejam na internet, com tanta repressão e mapeamento?

Bom, achamos que não. Se a polícia quer encontrar e mapear os coletivos, eles já estão fazendo isso e nosso mapa deve estar até desatualizado em relação ao deles se pensarmos em como essas coisas funcionam.

E ainda resta a pergunta: quando colocarmos outro mapa não-corporativo, qual a melhoria na segurança quando o assunto é o quanto os agentes da repressão sabem sobre nós? Os dados não continuarão públicos e acessíveis inclusive para agentes do Estado (e do Google!)? Para os coletivos que escolheram estar no mapa, qual a diferença de constar seu projeto em um mapa usando plataforma Google e de fazer um “evento” ou divulgar qualquer atividade no Facebook? Não é uma forma de mapeamento e de integrarmos o algoritmo dessas corporações? Devemos boicotar todas elas ou avaliar quando é útil utilizá-las da forma menos insegura possível?

Cremos que não há diferença substancial entre estar ou não no mapa para grupos que são abertos e divulgam seus dados na internet. Mas cada coletivo vai escolher a forma de publicidade que melhor lhe cabe e que atende às suas demandas por segurança. E é preciso respeitar a autonomia e a escolha desses coletivos que escolheram usar ferramentas corporativas para contatar e estarem acessíveis para além dos meios anarquistas, mesmo sob uma maior chance de estarem sob vigilância.

Não acreditamos estar “expondo” ninguém. Esses grupos já estão localizáveis na internet, com e-mails, sites e até (triste mas real) páginas no Facebook! (um segredo sujo: infelizmente também temos uma!). Mas o trabalho é alcançar nova pessoas né, inclusive para falar e sugerir meios seguros como e-mail do riseup.net ou ferramentas como o we.riseup.net.

Não pretendemos também divulgar coletivos que não querem estar no mapa, muito menos grupos que praticam alguma ação direta ilegal ou algo que possa levar alguém pra cadeia. Os coletivos ali estão fazendo atividades abertas, públicas e acessíveis a quem não compartilha os meios e as ferramentas que anarquistas mais velhxs tem familiaridade. É importante pensarmos que se quisermos estar acessíveis para outras pessoas devemos saber equilibrar invisibilidade para nossos inimigos e visibilidade para futurxs amigxs. Afinal, ainda não é crime ter editoras, espaços autônomos, cooperativas, cineclubes, etc. Todas essas são ferramentas para nos colocar em contato com novas pessoas.

Acreditamos que tudo o que podemos mostrar, devemos mostrar. Inclusive para ganhar legitimidade com o senso comum e estar acessível para outras pessoas interessadas. Se estamos apenas invisíveis, quem vai se solidarizar conosco e com nossa luta quando a repressão vier? Ou como vamos encontrar novas pessoas?

É só pensar em como foram os levantes de 2013. Eles teriam acontecido se apenas coletivos e movimentos ultra secretos estivessem indo para a rua? Ou sem a profundidade política de alguns movimentos (com páginas e eventos nas mídias sociais) combinado à radicalidade de grupos anônimos praticando ações radicais nas ruas? E o apoio dado de um tipo de grupo ao outro? Vamos escrever pra todos esses movimentos pedindo que apaguem suas páginas e não marquem mais eventos nos meios comerciais? Não seria uma má ideia, mas seria possível por agora?

NÍVEIS DE SEGURANÇA

Para nos comunicar e nos organizarmos com segurança, existem plataformas que já nos dão todas as ferramentas. Mas ainda vamos usar ferramentas capitalistas e inseguras para transmitir nossas informações e chamados. Cada tipo de atividade demanda um nível de segurança, visibilidade ou invisibilidade. Não é estratégico colocar tudo no mesmo saco e usar o mesmo nível de segurança para tudo.

Temos que saber escrever nossos mapas, ocupar nossos territórios, estejam eles nos mapas da repressão ou não. Devemos mostrar o que queremos e saber esconder o que não queremos. Isso se torna mais importante ainda na era das mídias sociais e smartphones, onde todo mundo tem um microfone e câmera no bolso prontos para transmitir ao vivo tudo o que fazemos e falamos.

Não devemos ter medo (apenas), mas podemos saber como lidar com a diversidade de táticas e opiniões. Se você quer manter todas as suas atividades, seja uma cooperativa vegetariana (totalmente legal) ou um coletivo que faz pixações e destrói publicidades de grandes corporações (ilegal) em segredo, essa é uma opção sua e de quem faz as coisas com você. Devemos saber respeitar e confiar nas escolhas e níveis de segurança de outrxs compas enquanto mantemos um pensamento crítico sobre o assunto. Uma boa cultura de segurança é sobre achar o equilíbrio entre nossas diferentes frentes de ação. É sobre criar um procedimento seguro (ou mais seguro) e não alimentar paranoias. Sim, talvez estejamos todxs sob vigilância. Mas como continuar nossa política e nossa radicalidade mesmo quando todas as câmeras apontarem para nós?

Vamos nos ajudando e nos apoiando.

Para saber mais do que pensamos e das ferramentas que acreditamos contribuir para nossa segurança enquanto continuamos perigosxs para o sistema, aqui vai um textinho bom:

Cultura de Segurança & Utopias Digitais – por Facção Fictícia

Para sugerir outras ferramentas para o Mapa de Iniciativas, escreva para:

paramudartudo@riseup.net