No início de outubro cruzamos o Centro-Oeste dos Estados Unidos e chegamos à costa banhada pelo Oceano Pacífico Cruzamos desertos bonitos e assustadores, chuvas, as Montanhas Rochosas e chegamos às florestas de árvores gigantes nos estados de Oregon e Washington, as chamadas redwoods. Quando pegar estrada todo dia, entrar em universidades, supermercados e visitar pontos turísticos que parecem todos iguais, a natureza nos lembra que ainda há muita coisa diferente para ver e um mundo de diversidade escondido atras das cidades. Temos feito algumas caminhadas nas florestas e parado em pontos na estrada para fazer um lanchinho rápido, olhar um canyon ou rio. Muita coisa está poluída e não pudemos nadar em alguns lagos ou nem mesmo tocar em rios, como o Rio Mississipi em Saint Louis, que tem radiação até na areia. Mas mesmo assim é impressionante quanta natureza há aqui ainda vigorosa.

Na primeira semana de outubro falamos em alguns lugares pequenos e lotados, como em Iwoa City, numa salinha com 80 pessoas. Em Kansas City falamos em um estúdio de tatuagem onde uma galera anarquista trampa e organiza atividades como Food Not Bombs (quando anarquistas se reúnem semanalmente para coletar comida que seria descartada em feiras e mercados para cozinhar dezenas ou centenas de pratos para serem servidos gratuitamente nas ruas e praças).
Em Boulder, no colorado, falamos em uma república e em Denver não fomos ao aeroporto Iluminati mas tivemos duas atividades no mesmo dia. Uma bem vazia em uma universidade e outra numa livraria no centro da cidade. Nada muito interessante. Mas, como precisávamos imprimir algumas coisas como folders e panfletos, nos convidaram para conhecer uma gráfica auto-gerida por anarquistas chamada P&L Printing. Foi uma das coisas mais incríveis que vimos no role. O pessoal tem um galpão imenso, com esquipamentos para todo tipo de trabalho gráfico e serigrafia em papel e em ropas. A galera faz uns trampos comerciais para se manter mas também tem tudo à mão para fazer livros, zines, posters e tudo que for preciso para os projetos libertários da região. E lá imprimiram muitas coisas para nós como zines e panfletos em apoio a pressxs ou pessoas enfrentando repressão legal no Brasil e República Tcheca. O lugar é tão foda que da vontade de morar lá uns meses pra imprimir todos os zines, posters, camisas e tudo que punks gostam de fazer.


De lá fomos para Salt Lake City e falamos numa casa anarquista enorme chamada Boing! Anarchist Collective que tem um infoshop e biblioteca comunitária. Na entrada tem uma varanda com loja grátis e peguei um moletom novo já que perdi minha única jaqueta de frio há uns 3 mil kilômetros atrás. Então fomos para nossa primeiramente cidade no estado de Oregon, Pendleton. Uma cidade com clima de faroeste onde tudo tem imagem de cowboy ou dos índios que foram exterminados ali. Então fomos para Seattle, que além de ser a cidade do Nirvana, foi o palco das maiores manifestações e confrontos envolvendo anarquistas todo mundo que protestava contra o OMC e a globalização econômica. Não conhecemos nenhum espaço libertário lá, mas falamos numa sala de universidade cheia de pessoas interessadas e o debate foi bem animado.
Algumas vezes estamos começando a chamar a atenção dos gringos para o quanto eles são alienados dos outros fatos e comunidades no mundo. Um país que conta com tanta estrutura e recursos, tanta gente produzindo textos e espaços libertários, é fácil se fechar em si mesmo. Já perdi as contas de quantas pessoas me perguntaram se o Brasil fica na América do Sul ou se falamos francês. Claro que sabemos onde fica os EUA e qual a língua oficial. E essa desproporcionalidade é vista também na política radical. O quanto lemos e sabemos do que se passa no primeiro mundo é muito maior do que o que sabem de nós. E fica evidente o quando é impactante estar aqui pessoalmente compartilhando pessoalmente experiências e reflexões. Se queremos realmente construir uma rede internacional de apoio, precisamos começar pelo nivelamento do fluxo de informação e comunicação.

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Estamos de volta com mais um relato! Em meio a um projeto tão intenso, tem sido inspirador ver o quanto é importante a troca que estamos fazendo. Passamos por várias cidades no fim de setembro, mas uma foi bem especial: Saint Louis, cuja região metropolitana integra a cidae de Ferguson, palco da maior onda de rebelião que explodiu em 2014 contra a polícia e sua ordem de violência racista.

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No dia 28 falamos em um espaço da universidade local da cidade de Blomington, estado de Indiana. Tivemos um debate interessante, mas o espaço não era tão inspirador. O bom foi que pudemos caminhar pela floresta com o pessoal que nos hospedou. Lá, encontramos um foço artificial causado pelo extrativismo mineral20150930_130836 e que agora está abandonado. Um ótimo lugar para nadar, mesmo coom um visual apocalíptico. No mesmo estado, falamos em um café moderninho em Evansville e partimos para Carbondale, Illinóis. Uma das cidades mais hospitaleiras que encontramos, com um infoshop incrível chamado Flyover Infoshop. Além de atividade e muita literatura, tem uma prateleira toda dedicada a medicina herbal, bruxarias e faça-você-mesmx. Tudo a preço livre. Pra ficar ainda melhor, um dos membros é massagista profissional e nos presenteou com uma sessão de massagem! Depois de um mês dentro de uma van, não podíamos desejar nada melhor.

De lá seguimos para Saint Louis, para falar em uma atividade organizada numa universidade modernosa que mais parece um shopping, com praça de alimentação, loja de roupas, eletrônicos e agências bancárias. Bem feio, mas pelo menos é mais honesto pois mostra qual o real papel das instituições de ensino em relação ao mercado. Recebemos o convite para bolar uma fala especial para o evento, abordando as tensões raciais, de gênero e classe nas mobilizações que vivenciamos em cada região da qual viemos. Foi interessante fazer essa troca e citar os movimentos e lutas recente no Brasil, como o movimento Mães de Maio e o protesto no fim de 2014 organizado por diversos movimentos em São Paulo sob o slogan “Ferguson é Aqui”.

Saint Louis, Ferguson e outras cidade da mesma região sofreram um processo parecido com o de Detroit quando empresas e indústrias migraram sua produção para regiões como a Ásia em busca de mão-de-obra barata. De uma região rica, a cidade passou para uma realidade de desemprego em masa, êxodo e bairros abandonados. E grande parte da população que ficou por lá pertence às camadas mais pobres e às populações negras e latinas. É fácil encontrar bairros abandonados e destruídos como em Detroit. Tanto que fomos no hospedar em uma rua inteira ocupada por anarquistas que tomaram várias casas e montaram uma grande comuna em um quarteirão fechado. Na nossa última noite lá, saímos de carro pelas ruas de Ferguson para mais um passeio turístico revolucionário. Fomos de carro lentamente com uma pessoa que esteve presente nos dias intensos de protestos após a morte do jovem Michel Brown, assassinado pela polícia. Vimos o ponto exato onde Brown foi morto, o supermercado que, segundo a polícia, o jovem teria roubado uma carteira de cigarro. Na mesma avenida principal onde mercados, lojas e outros estabelecimentos foram queimados e saqueados e o ponto que virou o local oficial onde era a concentração de todos os protestos ao longo dos meses que se seguiram antes de se alastrar por todo o país. Em um ponto, vimos a marca no chão dos pneus e metais derretidos que marcaram a calçada depois que uma das primeiras viaturas policiais foi queimada até não restar quase nada. Por último, vimos a prefeitura que foi atacada diversas vezes por manifestantes.

Muitos grupos amardos fizeram a contenção e impediram a polícia de acabar com os protestos. Em compensação, grupos conservadores chamados Oath Keepers (algo como, “mantedores do pacto”), compostos por ex-militares, pessoas de classe média ou trabalhadora, inclusive pessoas negras, patrulhavam as ruas como uma milícia armada para manter a ordem e impedir os quebra-quebras. Um dos amigos desses camarada que nos levou até o local ficou no meio do fogo cruzado entre manifestantes e policiais e levou três tiros. Por sorte sobreviveu mesmo com uma bala atingindo seu coração. Foi muito intenso ver todos esses cenários e ouvir de camaradas sobre como foi a repressão e os conflitos nas ruas. De qualquer forma, mudanças e passos rumo ao nosso empoderamento e libertação muitas vezes são dados quando pessoas assumem os riscos de enfrentar e expor as opressões desse mundo em que vivemos. Michel Brown será lembrado e sua morte será combustível para muitas revoltas, assim como Amarildo, Cláudia e muitas outras pessoas que ficaram para trás mas jamais esquecidas.

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De um jeito ou de outro, um dia todos usaremos máscaras. É como se o nosso papel no mundo em futuro próximo pudesse ser resumido em apenas duas opções: aceitar passivamente no destino catastrófico de uma sociedade capitalista, tentando reduzir e sobreviver aos danos causados ao ambiente e aos nossos corpos; ou organizar desde agora a resistência como nossa única chance de escapar desse destino e encontrar nossas próprias soluções. Afinal, se há uma coisa que cientistas, donas-de-casa, sem-tetos ou generais concordam é que estamos à beira de um colapso total.

Se escolhermos nos resignar aos rumos apontados pelo desenvolvimento de nossa sociedade industrial, que se lança sobre a natureza e sobre toda forma vida, talvez no futuro precisemos usar máscaras para sair de casa e nos proteger de resíduos tóxicos ou infecciosos.

No entanto, se escolhermos não aceitar a destruição de nossas vidas, nossa terra, nossa comida e tudo que nos integra com o planeta e com as outras pessoas, poderemos lutar para conquistar nossa liberdade e roubar de volta a capacidade de tomar as decisões importantes para nossa sobrevivência. E assim, talvez seja preciso usar máscaras que escondem quem realmente somos, enquanto lutamos pelo que realmente queremos.

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10_chicagoeetCompletamos agora um mês na estrada, mas ainda temos mais 34 dias de role! Tem sido muito intenso e as viagens estão maiores, com quase nove horas de duração. O que demanda muito tempo e energia, logo temos escrito menos. Visitamos alguns lugares históricos, como o local onde anarquistas foram mortxs em Chicago e que deu origem às celebrações do 1º de Maio, além do cemitério da cidade onde há um memorial que lembra essa tragédia e onde estão célebres anarquistas como Emma Goldman e Lucy Parsons e também vimos a primeira ocupa da viagem!

Passamos por muitos espaços diferente nessas semanas. Como a ideia de fazer esse diário de viagem tem mais a ver com descrever lugares inspiradores, como centros sociais, livrarias e cooperativas anarquistas, não precisamos entrar em detalhes sobre- alguns lugares que não entram nessa lista. Mas podemos dizer que, mesmo não fazendo o debate em algum espaço genuinamente dedicado às lutas anarquistas, os eventos estão sendo organizados por pessoas muito interessantes que compõem essa grande rede/comunidade anarquista norte-americana e que se desdobram para arranjar algum lugar onde podemos sentar e trocar experiências com pessoas novas e interessadas em se envolver.

Em Kalamazoo, Michigan, falamos num espaço comunitário de uma igreja local, onde grupos queer/negrxs organizam algumas atividades. Em Grand Rapids, também em Michigan, falamos num ateliê muito legal e quem organizou foi o pessoal do jornal anarquista-verde Black Seed. Em Milwalkee, Wisconsin, falamos numa livraria auto-gerida e anarquista.

20150927_171039 20150927_171059E, finalmente, falamos em uma ocupação em Chicago, uma das poucas okupas dos EUA e a primeira que vimos na viagem. O espaço é enorme, com 3 andares, e um porão que conta como um andar. Tanto a casa quanto vizinhança é composta, em grande parte, por imigrantes mexicanxs e foi legal poder praticar o espanhol um pouco com a galera. Na semana anterior houve um evento em memória de 43 companheirxs desaparecidxs pela polícia mexicana na cidade de Ayotzinapa. Após dias falando para pessoas não muito familiarizadas com ideias anarquistas, foi legal encontrar um espaço onde há um pouco mais de acúmulo para aprofundar alguns temas. Levamos o debate para o quintal da ocupa, onde há um jardim, pois estava calor. E foi perfeito porque ao fim da palestra percebemos que o fenômeno da lua vermelha que todo mundo falava estava no seu auge. Uma noite mágica.20150927_132426

No final, pessoas presentes se deram conta de que a atividade era o maior evento e a maior concentração de anarquistas na cidade em muitos meses. O que foi ótimo pois parece que o evento deu um empurrão para muita gente se reunir e talvez dali surja algumas coisas. Foi legal ouvir isso pois deu a sensação de que essa tour realmente tem motivado as pessoas.

E quando chegamos em Chicago, horas antes da atividade, pudemos fazer esse passeio histórico visitando o cemitério onde estão as sepulturas de Emma Goldman, Lucy Parsons, Catherine de Claire e muitas outras figuras importantes da luta anarquista e operária do início do século XX. Além disso, há um grande monumento que lembra o massacre no distrito de Haymarket que deu origem. Aproveitamos para deixar alguns livretos do Para Mudar Tudo em inglês ali, para visitantes que passarem poderem pegar e passar adiante.

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Mais tarde, visitamos o local exato da tragédia onde, no dia 4 de maio de 1886, um protesto foi organizado por anarquistas após a morte de operários no dia anterior. Alguém da multidão jogou uma dinamite na polícia, matando sete policiais e quatro pessoas. Quatro organizadores do protesto foram condenados à morte por enforcamento uma vez que nenhum culpado foi encontrado. Outros três foram presos, sendo que um morreu na prisão e outros dois “perdoados” pelo governador do estado em 1893, que alegou que tanto os presos quando os executados eram inocentes e não havia provas contra eles. Um monumento aos policiais mortos foi erguido no local da tragédia, mas ao longo das décadas ele foi explodido e totalmente destruído três vezes em protestos durante o primeiro de maio. A solução foi colocar um monumento dentro das instalações da polícia e deixar no local apenas o monumento dedicado a memória de trabalharxs mortxs e à luta anarquista.

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Muitos inspirador ver essa história viva e ver o local. No próximo post, nosso contarei nosso passeio pelas ruas de Ferguson, visitando os locais dos conflitos e as marcas do fogo e do chumbo que ficaram pela cidade.

 

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Até!

 

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Saindo de Detroit paramos na cidade de Ann Arbor para visitar um dos lugares mais interessantes dessa viagem: a coleção Joseph Antoine Labadie, um acervo de materiais e publicações anarquistas que fica na Biblioteca da Universidade de Michigan. É talvez o segundo maior acervo do mundo e o mais completo disponível para pesquisa. Basta marcar uma visita. E foi o que fizemos!20150924_162124

A coleção começou como um acervo pessoal do anarquista Joseph Antoine Labadie de Detroit. Ele era editor de um jornal e começou a guardar materiais que produzia e trocava com outras pessoas pelo país pelo mundo. Em 1911 doou sua coleção para ser conservada e ampliada dentro da Universade. Desde então, a coleção abriga materiais anarquistas, LGBTT e de diversas lutas sociais radicais. Desde livros, jornais, cartas, posters e materiais pessoais. Uma parte especial é o que nossa amiga chama de “efêmeros”, que são panfletos, flyers e materiais de divulgação para eventos ou greves que geralmente vão para o lixo mas, assim como livros, contam a história dos movimentos.

A responsável pelo acervo é uma anarquista que faz um trabalho de conservação, organização e curadoria do que chega por lá desde 1984. Escrevemos para marcar uma visita no meio da nossa rota e ela pareceu muito animada em receber um “grupo de anarquistas internacionais”, nas palavras de um colega que nos recebeu.

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Nossos dedinhos sujos tocando os papéis que um dia tia Emma carregou no bolso

Para ver os materiais e fazer uma pesquisa é necessário marcar antes e dizer o que você procura, pois o acervo é enorme e ocupa quase todo um andar do prédio. Então, é melhor evitar que pessoas fiquem por lá perdidas sem saber o que querem no meio de um labirinto de materiais frágeis e raros. Chegamos e logo fomos para uma sala onde não se pode levar mochilas, apenas cadernos para escrever e câmeras. O pessoal leva em um carrinho os materiais disponíveis relacionados aos temas que pedimos.

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Carta de Berkman para Emma Goldman

Por e-mail, pedi materiais sobre as lutas anarquistas no Brasil do início do século XX, pois queria ver se encontrava materiais sobre a greve geral de 1917, que foi protagonizada pelo movimento operário anarquista da época em São Paulo. Infelizmente, os jornais mais antigos que tinham disponíveis eram da década de 30. Mesmo assim, foi muito interessante ver cópias dos jornais A Lanterna e A Plebe por lá, ler as notícias e folhear alguns livros velhos. Cada pessoa do nosso grupo pediu uma coisa. Um, que está escrevendo uma série de bibliografias e histórias de vida de anarquistas pediu materiais relacionados ao anarquista italiano Errico Malatesta, outros pediram coisas diversas de seus países, como República Checa e Suécia. E outra amiga queria ver materiais sobre Emma Goldman, anarquista nascida no antigo Império Russo e que atuou bastante nos Estados Unidos. Foi surpreendente tudo o que vimos, pois além de textos e notícias, o acervo conta com materiais pessoais, como passaporte e carteira de identidade de Emma, cartas escritas ou recebidas por ela. Como uma carta escrita por seu companheiro, o anarquista Alexander Berkman, enquanto ele estava na prisão. Foi muito estranho e incrível poder ver e tocar esses materiais e sentir todas essas histórias aparecendo na nossa frente como se ouvíssemos da própria boca das pessoas que as viveram.

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Aproveitamos a visita para deixar alguns materiais que trazíamos conosco. Afinal, a história continua e estamos fazendo ela agora mesmo! Deixamos cópias do projeto Para Mudar Tudo em todas as línguas que tínhamos em mãos – isto é, cerca de 6 das 26 versões. Além disso, deixei alguns posters que tinha do projeto e outros zines brasileiros. Nosso camarada da CrimethInc deixou uma pilha de materiais, como revistas, zines, posters, adesivos, marcadores de páginas e outras coisas raras e muito antigas produzidas pelo coletivo desde seu início nos anos 90. Foi legal também poder ver esses materiais ali, pois são coisas que não tinha visto também, por já estarem fora de catálogo há mais de uma década.

20150924_161038 20150924_153646Para quem quer pesquisar e revisitar a história de lutas anarquistas no Brasil, existem coleções organizadas e gerias por anarquistas como no Centro de Cultura Social ou a Biblioteca Terra Livre em São Paulo. Há também um grande acervo na Universidade de Campinas que leva o nome do anarquista brasileiro Edgar Leuenroth, que editou os jornais A Lanterna e A Plebe. Abaixo estão alguns links.

Por enquanto é só. Internet está ficando mais escassa e a convivência real está falando mais alto. Então desculpe se os relatos ficarem mais espaçados. Em breve relatos sobre a visita a Chicago, onde visitamos a primeira ocupação anarquista nessa tour e fomos ao cemitério onde estão Emma Goldman e Lucy Parsons, além do memorial aos Mártires de Chicago.
Até!

Acervo Edgar Leuenroth na Unicamp

Centro de Cultura Social – SP

Biblioteca Terra Livre

Coleção Joseph Antoine Labadie na Universidade de Michigan

Posters e arquivos digitalizados

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Agora sim podemos dizer que passamos pela cidade fantasma mais famosa dos Estados Unidos! Chegamos em Detroit lá perto da meia noite do dia 22 pro dia 23 de Setembro já para dormir do espaço onde iríamos fazer o bate-papo. O lugar chama Trumbullplex (http://trumbullplex.org/) e fica numa vizinhança não muito malacabada da cidade. É um casarão gigante com três andares, porão e um galpão no fundo onde rolam shows, eventos diversos e tem um bar e uma zineteca. Lembra o Espaço Impróprio (um espaço anarquista que habitava a região da Rua Augusta em São Paulo de 2003 a 2011), pois a galera vive nos andares de cima e a parte de baixo é onde rola os eventos. Até o cheiro e a bagunça são semelhantes, mas faz parte (ou não?).

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Fachada e interior do Trumbullplex

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Fachada e interior do Trumbullplex

Mas o que queríamos mesmo é dar uma volta na cidade e ver a desgraça capitalista ao vivo. A história que nos contaram é que Detroit era um enorme polo industrial, principalmente automotivo. Ford tinha uma grande produção de carros e motores lá desde o início do século e por volta dos anos 50 e 60 Detroit foi uma das cidades mais ricas e afluente dos EUA. Mas a partir dos anos 70 a indústria automotiva entrou em crise e levou junto toda a legião de trabalhadorxs que dependiam de seus postos de trabalho. Um ótimo exemplo de como centralização e monopólio colocam nossas vidas nas mãos de uns poucos que vão embora em tempos de crise e deixam populações inteiras a ver navios. Nos anos 80 a cidade foi o cenário do filme Robocop, onde uma Detroit futurística decadente precisa de um gambé cibernético para manter a ordem burguesa. O cenário, pelo menos, se tornou realidade.

20150923_125518A população que chegou a 3 milhões de pessoas agora está por volta dos 700 mil. É como se 75% da população de uma cidade como Belo Horizonte simplesmente fosse embora deixando casas e bairros inteiros abandonados. E quando a população de bairros mais afastados e suburbanos vão embora, sobram poucos clientes para serviços como água e luz. Sendo que quem ficou muitas vezes também não tem como pagar todas as contas em dia. O que levou a uma grande crise pois as empresas começaram a cortar a água de bairros inteiros para não ir a falência. O dinheiro fala mais alto do que o direito de ter acesso a água – como sabem todas as pessoas em Itu, no interior de São Paulo, e como estão aprendendo todas as que vivem na capital paulistana. Talvez seja esse um futuro próximo para nossas cidades no sudeste brasileiro.

IMG_1154Então, para ver esse clima pós apocalíptico, o pessoal do espaço fez um grande passeio de bike com a gente pela cidade. Pegamos umas bikes loucas tipo choper e uma de duas pessoas e partimos. Em muitos bairros, vimos prédios partidos no meio ou com buracos enormes. Vizinhanças que pareciam de classe média alta sem ninguém na rua e arvores nascendo de dentro das janelas. A parte central da cidade é bem podre para os padrões estadunidenses. Mas para nós do brasil, é como qualquer centro velho de um Rio de Janeiro, Salvador ou Porto Alegre. Só que mais chic, claro. E o carro da polícia é todo preto com escrito preto reflexivo e com grade de aço na frente dos faróis. Assustador como o próprio carro do Robocop.

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IMG_1213Passamos também por uma vizinhança tomada por obras de arte bem estranhas e muito interessantes feitas com lixo e materiais de todo tipo. De bonecas a peças de carro. No total são umas três ou quatro ruas cheias de lotes vagos, casas e uns galpões com a arte de um cara chamado Hiedelberg que começou a encher a vizinhança com sua arte para assim atrair pessoas curiosas e turistas e movimentar a região. Isso porque como o bairro, como muitos outros, virou um deserto de casas vazias ocupadas por usuários de drogas e pelo tráfico. A sua arte espontânea que usa materiais que encontra pela cidade foi o modo de trazer novamente outras relações para a região. Dizem que quem mora por ali também ajuda nas suas obras e que ele montou uma espécie de ONG.

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Um passeio que gostaríamos de ter feito mas não foi possível era a visita ao Museu de História de Detroit que esta hospedando uma exposição sobre os 50 anos da revista Fifth Estate (http://www.fifthestate.org/), a revista anarquista mais antiga dos EUA que começou em Detroit em 1965. Um amigo que trabalha na revista queria nos levar pessoalmente para mostrar tudo, mas infelizmente o museu só abre essa exposição no fim de semana e não quiseram liberar uma visita especial para nós. O jeitinho brasileiro não cola muito por aqui.

Depois de suar e se bronzear pedalando, voltamos para comer e nos preparar para a atividade da noite. O debate teve um público um pouco menos que o de costume, mas as perguntas e algumas das falas mais interessantes da viagem. Ouvimos experiências de participantes de grupos locais, como uma senhora anarquista e feminista que faz um trampo com imigrantes e contra despejos na cidade. Com certeza foi a fala mais inflamada e radical da noite. Muito inspirador.

Próximo post, falaremos sobre um dos maiores acervos anarquistas do mundo na Universidade de Michigan. Nesse mesmo canal e nesse mesmo horário.

Até!

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Acordamos nessa segunda-feira, dia 21, para mais um dia de trampo e role. Fomos em sentido a Cleveland, uma cidade que, assim como Detroit, já foi uma das mais ricas dos EUA e hoje é uma das mais falidas. Fica nas margens do Lago Errie, no norte do país – dizem que é uma das maiores reservas de água doce do mundo, mas que tá tão poluída que quando fomos nadar lá, tinham até um aviso sobre os riscos de contaminação. Mesmo assim demos um tibum.

O debate foi na livraria e editora anarquista chamada Guide To Kulchur. O lugar foi comprado há 3 anos e é gerido coletivamente por voluntários. O espaço não é muito grande, mas é bem aproveitado. Muitos livros e uma sala só de acervo de zines para consulta e para copiar. Nos fundos, uma imprensa e um ateliê para produzir livros editados e lançados pelo coletivo. A loja também abriga várias atividades e serve de base para muitas das organizações e concentração dos protestos que aconteceram recentemente na cidade contra a violência policial.

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20150921_191020 20150921_191047No dia seguinte, depois do mergulho radioativo no lago da cidade, partimos para Toledo, uma pequena cidade à poucas horas dali. Lá, o debate foi num dos melhores cenários até agora: uma roda em volta de uma fogueira em uma imensa horta em um terreno ocupado no centro da cidade. O terreno foi ocupado pouco depois do movimento Occupy que teve na cidade, quando pessoas decidiram se juntar para manter alguma atividade permanente depois que as praças ficaram sem as barracas da galera acampada. Foi incrível bater papo ali sentando em bancos improvisados com toras de madeira, comendo chili numa cozinha aberta feita de adobe, tudo isso enquanto o sol se punha e dava lugar à luz laranja da brasa que iluminava os nossos rostos. O debate foi caloroso como a fogueira. Muitas das pessoas ali presentes eram ativistas de longa data, desde as épocas de movimentos anti-globalização.

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Mas abandonamos o clima verdejante e vivo da horta para partir a mesma noite para a tão esperada Detroit! A cidade fantasma, cheia de prédios em pedaços e bairros inteiros abandonados! Uma obra de arte para celebrar a falência que é o Capitalismo e suas relações. Mas isso fica para o próximo post!

Inté!

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Com as roupas ainda úmidas das águas do Niágara, chegamos à cidade de Buffalo. Fomos direto ao Burning Buoks, que é uma livraria anarquista e engajada na divulgação de lutas ambientais radicais. A maioria absoluta dos livros é ligada a temas como Animal Liberation Front (ALF) e Earth Liberation Front (ELF). Membros do coletivo editam a revista Earth First e são os porta-vozes, isto é, o rosto público que anuncia ou comenta com a imprensa quando há alguma ação da ELF na América do Norte. O que é um trampo bem louco, já que você vai ser quem vai explicar e assumir que foi tal organização que incendiou uma fábrica que polui as águas e o solo ou destruiu um laboratório que realiza testes em animais. O espaço funciona numa esquina pacata da cidade há pouco mais de 3 anos. Depois de serem despejados de outros lugares, finalmente compraram a loja e montaram ela no melhor estilo “faça-você-mesmx”. Simples e bonito. Nossa atividade foi junto com outro grupo de Libertação Animal que esteve envolvido em campanhas e ações recentes contra laboratórios que realizam testes em animais.

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De lá fomos para a cidade de Pittsburgh, no estado de Pensilvania, para o nosso primeiro dia com duas atividades. A cidade é bem parecida com aquelas dos filmes americanos de universidade mas me disseram que é porque tá rolando uma tremenda gentrificação e que o Google tá hipsterizando os bairros todos por lá. Chegamos cedo e logo pela manhã acompanhamos uma tour pela cidade mostrando pontos importantes da grefe de ferroviárixs no fim do século XIX, que culminou em um confronto armado entre anarquistas e milícias armadas da direita.

Nossa atividade foi numa universidade que fica dentro de um prédio que é também uma catedral. Um visual muito louco que mistura algo de neo-gótico com arranha-céu moderno. Tipo Harry Potter com Blade Runner, se isso fizer sentido. O lugar era medonho e fácil de se perder lá dentro. Foi a atividade mais lotada que tivemos, com cerca de 120 pessoas. Financeiramente também ajudou muito porque era mais gente para colocar trocados no chapéu e o pessoal da organização fez um evento antes para levantar fundos e nos deu o dinheiro quase que suficiente para uma passagem de avião de um de nós. Então, voltar pra casa já está quase garantido.

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No mesmo dia, à noite, fomos para uma outra casa que funciona como centro social, onde algumas pessoas moram pois lá estava marcado o segundo debate. Para não fazer a mesma coisa, elaboramos questões relacionadas aos temas e jogamos para as pessoas da cidade compartilharem suas próprias experiências ao invés de somente ouvir de nós mais uma vez.

Dia seguinte, estrada por apenas uma hora até a cidade de Columbus para uma outra apresentação inusitada. Dessa vez numa igreja metodista da região. Foi engraçado falar numa igreja no domingo, mas afinal, estamos fazendo uma parada bem estilo Jesus Cristo indo de cidade em cidade, falando na praça e pedindo um lugar pra dormir e comer antes de partir na manhã seguinte hehe… A diferença é que a mensagem passamos é que nem Deus nem Mestres podem nos salvar!

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No episódio de hoje temos a visita a duas grandes cidades: Boston e Nova York; e uma pequena também no estado de NY: Rochester. Em Bostom, a ideia de trombar o Noam Chomsky (pra dizer que Foucalt ganhou aquele debate – brinks) e em Nova York a façanha de termos ocupado por duas noites um apartamento vazio no Brooklyn. Foi mais ou menos assim…
Chegamos em Boston no dia 13 a noite e tivemos o dia 14 livre até a noite para ir para a atividade. Dentre as possibilidades de role, havia o Massachusetts Institute of Technology (MIT), onde há uma exposições de tecnologia e robótica e também onde trabalha o famoso linguista e anarquista Noam Chomsky. E dizem que também é a instituição onde foi criada a tal da internet. O tio Chomsky já se aposentou mas está sempre por lá como membro honorário e bonachão. Disseram que normalmente é fácil encontrá-lo no refeitório ou corredores da universidade. Mas já estávamos no rolê há alguns dias nesse verão brabo e precisávamos lavar algumas roupas. Assim, não fomos ao MIT. E não existe esse negócio de natureza humana.

 

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Então à noite fomos ao Encuentro 5, um escritório compartilhado por vários movimentos sociais da cidade ligados à várias diferentes lutas. Muitos dos membros do coletivo anarquista que organizou o evento são imigrantes, o que aumentou ainda mais a pluralidade do nosso grupo que já é composto por 5 gringos, cada um de um país.

Na manhã seguinte fomos para a mais celebrada e esnobe cidade do mundo: Nova York! Chegamos no Brooklyn para encontrar nossos anfitriões em uma pizzaria cooperativa e vegana. Comemos e tivemos a boa notícia de que não precisaríamos mais nos separar em 2 casas (em NY tudo é mais apertado). Havia um apartamento vazio no prédio acima da pizzaria, com colchões pra todo mundo. Então, praticamente podemos dizer que ocupamos um ap por duas noites em NY. Fuck da police!
Nada poderia ser mais perfeito, pois ficamos na cidade dois dias para realizar dois debates. Sendo que uma parte do grupo se juntou para realizar uma atividade diferente compartilhando experiências sobre o movimento Ocupa na Suécia, Eslovênia e Argentina.

O debate sobre Ocupações foi no Museum Of Reclaimed Urban Spaces (algo como Museu dos Espaços Urbanos Retomados ou Ocupados). É um prédio na parte oeste de Nova York que foi ocupado e hoje tem concessão do governos para funcionar sem o risco de despejo. O primeiro andar e o porão são um espaço para eventos diversos e contam com um acervo de fotos, vídeos que preservam a memória e contam a história de espaço que foram tomados pelas pessoas para a realização de projetos comunitários: parques e terrenos onde foram feitas hortas públicas, casas e prédios ocupados para moradia ou temporariamente. Algo muito interessante em um país onde, assim como no Brasil, é muito difícil ocupar e manter espaços desafiando a lógica da propriedade privada. A atividade foi bem legal e pessoas que moram nos projetos de habitações da região estiveram presentes e interviram com suas próprias experiências locais.

No dia seguinte, 16 de setembro, realizamos nosso painel tradicional em um espaço anarquista no Brooklyn, chamado La Base. Um centro social anarquista bem charmoso que tem uma horta na porta, bem no meio da calçada, uma pequena biblioteca que leva o nome da anarca-feminista Lucy Parsons, conta com cursos de espanhol estudando textos libertários, abriga atividades e muitos materiais da Cruz Negra Anarquista de Nova York, que realiza vários trabalhos de apoio a anarquistas e ativistas que estão atrás das grades partindo de uma perspectiva abolicionista. A atividade foi uma das mais cheias e dos debates mais animados até então.

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Depois de mais uma noite bem dormida no apartamento recém ocupado, seguimos para fora das regiões metropolitanas. Fomos fazer o debate na cidade de Rochester em um espaço chamado The Flying Squirrel Community Space (Espaços Comunitário Esquilo Voador). Pra quem acha que nome bizarro pra espaços libertários é coisa de brasileiro… tá aí.

O Flying Squirrel é um casarão enorme e comprado coletivamente por um grupo bem diverso de anarquistas. Mas a maioria do pessoal está mais ligado à corrente Plataformista – o que seria o equivalente à linha Especifista do Brasil e da América do Sul. Vimos uma plateia mais diversificada, inclusive com famílias inteiras e até um brasileiro que colou por lá pra praticar o português.

O espaço tem várias salas para reunião e um escritório para diversos usos de grupos ativistas, como o Centro de Mídia Independente da cidade.

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Dia seguinte, saímos sentido Buffalo e Columbus. Mas antes uma parada para um piquenique nas Cataratas no   Niágara, na divisa entre Estados Unidos e Canadá! Vista incrível da força da natureza que recarrega nossas energias e descansa a mente de tanto ver estrada e prédio – se bem que em frente às cataratas tinha mais prédio…aff.

Para ir à base da catarata, perto de onde a água cai faz aquela chuva que molha todo mundo, é preciso pagar 40 dólares. Mas brasileiro é foda. Anarquista e vandalista então. Pulamos umas cercas e bancamos os turistas perdidos até ganhar um passeio de graça no elevador que vai até a altura da base da queda dágua. Uhull!

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Por enquanto é isso. Em breve outros relatos sobre espaços e comunidades libertárias inspiradores ou paisagens imponentes que encontramos no caminho em Buffalo, Pittsburg e Columbus. Daqui a alguns dias estaremos em Detroit! A cidade fantasma e apocalíptica dos EUA. Fica de olho aí!

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Depois dessa “edição especial” para a nossa visita à cidade de Baltimore, voltamos com os relatos mais resumidos. Dessa vez, passamos pela casa do Obama, Washington, DC em pleno 11 de Setembro (aniversário de 14 anos desde que alguns árabes deram um tapa na cara do Tio Sam e outros 32 anos desde que o mesmo Tio Sam ajudou Pinochet a instaurar sua ditadura no Chile).

20150911_181622A atividade foi num espaço com meio século de atividades chamado Potter’s House (http://pottershousedc.org/). Um centro social que foi comprado por uma igreja progressista da cidade em 1960 e que sempre foi ligado a movimentos sociais e libertários. Ficou fechado por um ano e meio para uma reforma total e voltou no início desse ano. Tem um café e uma livraria onde as pessoas trabalham e tiram uma graa de lá. No fundo uma sala gigante abriga os eventos. Tudo muito bonito, limpo, finesse. Primeiro mundo é mais fácil né? Mas fica aí a inspiração hehe. O debate foi bem cheio e pela primeira vez tivemos tradução em Libras! Pois é, a própria comunidade de pessoas surdas da região que demandou pois algumas pessoas não queriam perder o debate. Legal né?

Depois, no dia 12, fomos para Philadelphia, cidade famosa por abrigar a história de muitos dos grupos mais militantes da resistência negra, como o MOVE e o Black Panthers. O lugar da atividade foi o Wooden Shoe – que significa sapato de madeira e faz referência aos sapatos que eram jogados nas engrenagens das fábricas para interromper a produção e que deu origem a palavra SABOTAGEM. Yeaaah! (http://woodenshoebooks.com/home.html)

Wooden Shoe é uma livraria anarquista que funciona em um espaço alugado e com trabalho voluntário. Desde 1976 está na ativa com vasta coleção radical de livros, arte, espaço para debates e vídeos, além de uma sala no porão para cursos e afins. Muitas reuniões grupos anti-carcerários acontecem lá e o coletivo do espaço também é muito envolvido com a divulgação e o apoio a prisioneirxs anarquistas, como Marius Mason, um militante anarquista, vegan e transgênero preso desde 2008 (http://supportmariusmason.org/).

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Dá pra ver que esse tipo de espaço e estrutura é recorrente em muitas cidades. O que nos leva pensar a importância para a comunidade de um lugar assim, onde se pode encontrar pessoas, aprender e compartilhar coisas novas habilidades e conhecimentos, apoiar as lutas radicais e fazer laços com o mundo todo.

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