Esse episódio do AntiCast tem um gosto especial: vamos falar da revolução em pleno andamento no território autônomo no norte da Síria, conhecido como agora como Rojava. Lá, o povo Curdo tem protagonizado uma organização da vida sem Estado, baseada na igualdade social, de gênero e étnica que tem contribuído para desafiar tudo o que conhecemos sobre revolução no século XXI. Entrevistamos um companheiro anarquista que acaba de voltar de Kobane, uma das áreas que compõem Rojava. Ele esteve por meses colaborando na área da saúde e testemunhou de perto os desafios encontrados e as soluções que essas comunidades tem criado ao decidir viver uma vida autogerida, resistindo à hostilidade de governos vizinhos (Síria, Turquia, Iraque), ao patriarcado, ao imperialismo e ao terrorismo do Estado Islâmico. Um testemunho imperdível!

Ouça, compartilhe, debata e inspire para as próxima revolução!

Estivemos na primeira feira do livro anarquista de Belo Horizonte, que aconteceu agora no dia 28 de janeiro de 2017. Gravamos alguns relatos trazendo balanços, elogios e críticas ao evento, além de breves depoimentos sobre como atuam algumas das muitas organizações e editoras libertárias que estiveram presentes.

Para quem não sabe, as Feiras do Livro Anarquista são eventos que acontecem desde meados dos anos 1980 em diversas cidades do mundo, com objetivo de reunir editoras, coletivos, organizações e pessoas autônomas que produzem livros, informativos, zines, jornais ou qualquer forma de mídia com conteúdo radical e anti-capitalista. E, claro, reúne movimentos e pessoas para apresentar debates, vídeos, palestras ou outras formas de compartilhar o que tem sido feito na pratica para criar um mundo sem estado, sem patriarcado, sem fronteiras, raças ou qualquer desigualdade e opressão.

Ouça e passe a mensagem adiante!

Visitamos algumas escolas ocupadas na região norte de Belo Horizonte e gravamos uma entrevista com uma estudante da Escola Estadual JK, logo na segunda semana de ocupação.

Na conversa, falamos sobre a relação com alunos, com a comunidade, a solidariedade com outras escolas, o enfrentamento com a direção. Conversamos também sobre a tentativa de contato da polícia com os ocupantes. E também sobre a relação sempre interesseira de movimentos estudantis hierárquicos e perspectivas futuras para estudantes e jovens na região e no Brasil todo.

Confira, compartilhe e debata =)

icone_002_webNo dia 31 de agosto Michel Temer assumiu oficialmente a presidência do governo e na primeira semana de setembro protestos tomaram as ruas em todo o país, tento seu ponto alto nos desfiles militares do dia 7, juntanto-se os tradicionais protestos contra o nacionalismo. A violência policial marcou presença, mas quem voltou com força à cena foram as táticas Blac Block. Para saber mais sobre essa forma de ação anarquista, pesquisamos um pouco seu histórico, sua relação com as lutas sociais no Brasil desde 2013 e também fizemos uma entrevista explosiva com uma pessoa que já participou de grupos que usam a tática.

 

 

antimane

No mês de agosto será julgado pelo Senado Federal o afastamento ou não da presidente Dilma Rousseff. E esse também é um ano eleitoral, onde teremos a corrida gananciosa por poder e controle, com empresários – e ativistas! – disputando cadeiras de vereadores e prefeitos. E em nosso segundo programa (o de estréia foi o numero #00), debatemos se houve ou não golpe, o que será esse tal de golpe, e também um pouco das origens e do papel da tão famosa democracia.

…………

Venha participar do debate. Escreva para anticast@riseup.net para sugestões, críticas, dicas de livros, filmes, músicas ou temas para os próximos episódios.

_músicas que você ouviu nesse episodio:
Funk Das Jornadas de Junho em BH, por Anarcofunk
http://migre.me/uB2OB

_Doc:
[Lute como uma menina!]
https://www.youtube.com/watch?v=WFwSs3ARAZg&feature=youtu.be

_Livros:
– Da democracia à liberdade – [https://faccaoficticia.noblogs.org/…/publicacao-da-democra…/]
– Terrorismo de Estado – Guilerme Castelo Branco (org) – Autentica
– Anarquistas e a crise capitalista atual no brasil – Impresna Marginal – org [http://anarcopunk.org/imprensamarginal/]

_Textos Citados
-Errico Maltesta – Nem democracia nem ditadura [http://midiacoletiva.org/democracia-e-anarquismo/]

anticast@riseup.net
paramdartudo.com

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SUPERANDO EXPECTATIVAS

A primeira edição com tiragem de 5 mil cópias se esgotou rápido e agora voltamos com 11 MIL CÓPIAS!

Estamos felizes em anunciar uma segunda impressão do livreto Para Mudar Tudo. Dessa vez superamos nosso objetivo inicial de fazer outra edição com 10 mil unidades distribuídas totalmente de graça!
 
São 48 páginas introduzindo temas importantes dos pensamentos e práticas anarquistas para pessoas que ainda não tiveram contato com o tema.
 
A primeira edição lançada em 2014 contava com 5 mil livretos mas sentíamos que ainda era pouco se considerarmos o tamanho do território em que estamos e o momento político em que vivemos. Mesmo com o site, que conta com versão digital, vídeos e posters, é sempre bom poder compartilhar ao máximo algo no mundo real, de mão em mão e com os olhos nos olhos.
 
Se quisermos fazer a diferença num mundo cheio de instituições e mentalidades autoritárias, em um país dividido por polarizações superficiais, é preciso espalhar ideias que vão para além dos discursos dominantes e atinjam novas pessoas, fortalecendo antigos e construindo novos laços.
 
COMO DISTRIBUIR
 
Se você tem um coletivo, um espaço libertário ou simplesmente quer ter uma ou mais cópias para ler e passar adiante, nos escreva que enviaremos cópias pelo correio e pediremos apenas o preço de custo do envio. Para mais detalhes e outras opções, entre em contato através do e-mail:
 
paramudartudo@riseup.net
 
Tá bom, mas depois de ter contato com os materiais do projeto, você esteja se perguntando: “Mas afinal, na prática, o que anarquistas fazem?”
 
Para saber de coletivos, eventos e outros projetos mais próximos de você, para entrar em contato ou participar, acesse o Mapa de Iniciativas Libertárias no site:
 
paramudartudo.com
 
Lá você também terá acesso à versão em vídeo do panfleto, além de outros materiais gratuítos para baixar.
 
AGRADECIMENTOS
 
Agradecemos a todos os coletivos e pessoas que ajudaram a financiar esse projeto, com doações ou comprando camisetas, ajudando no design, com o website e na distribuição dos materiais. Todo esse trabalho feito voluntariamente por pessoas que acreditam nas ideias e práticas que queremos promover. E os recursos levantados foram suficientes para que o material circule gratuitamente por aí.
 
Recebemos muitos elogios e mensagens de apoio de gente que gostou e quis fazer parte do projeto, distribuindo cópias e inserindo seus coletivos no Mapa de Iniciativas Libertárias. No entanto, foi mais dificil juntar apoio financeiro do que moral =P. Demoramos muito mais tempo do que imaginamos para juntar todos esses recursos. Apenas um ou dois coletivos presentes no Mapa apoiaram com alguma quantia para a impressão. Mas compreendemos o quanto é difícil reunir dinheiro em uma economia em crise e entre coletivos radicais que, supomos, são compostos por pessoas que não participam dos grupos mais abastados da sociedade.
 
De qualquer forma, agora é distribuir o material, chegar onde os braços não alcançam e promover o debate e as ações rumo ao mundo para além do capital e uma vida fora dos relógios.
 
Coletivo Para Mudar Tudo.
paramudartudo.com

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Apresentamos o AntiCast, um podcast para compartilhar pensamentos e informações sobre lutas, movimentos e iniciativas rebeldes e libertárias. Uma forma de repensar nossa existência e narrar nossa resistência vivendo em mundo autoritário.

Estaremos divulgando os episódios aqui no site do projeto Para Mudar Tudo como uma forma de colocar mais pessoas em contato com grupos e movimentos que estão desafiando as leis e as lógicas do capitalismo – e vencendo!

Em nosso programa de estreia, vamos falar das ocupações das escolas em Goiânia, suas inspirações, a brava resistência a repressão do Estado e da sociedade. Para ilustrar essa luta, entrevistamos um professor que esteve ao lado de estudantes e acompanhou suas lutas de perto.

Links para saber mais sobre o assunto:

Secundaristas em Luta – GO

www.facebook.com/permalink.php?story_fb…
www.redebrasilatual.com.br/educacao/201…
www.nosopinando.com.br/professor-doutor…/
www.nosopinando.com.br/prisao-de-profes…/
lutafob.wordpress.com/2016/02/20/recc-g…/

Dica Leitura/Música nesse episódio:

-Doc: Acabou a Paz: isso aqui vai virar o Chile –secundaristas em sp inspiradxs pela rev Pinguins no Chile.

-Livro: Anarquismo e Revolução Negra – Lorenzo Kom`boa Ervin – Coletivo Editorial Sunguilar

Músicas que tocamos: Anarcofunk – “não é culpa sua”

E-mail para contato, elogios, críticas, sugestões de temas, música ou leitura:
anticast@riseup.net

Até a próxima!

NotaMapa

Olá!

Recebemos alguns comentários, críticas e sugestões após a publicação do Novo Mapa de Iniciativas Libertárias no site do projeto Para Mudar Tudo (paramudartudo.com). E gostaríamos de prestar alguns esclarecimentos e propor algumas sugestões. Além de pedir mais dicas e colaborações!

NENHUMA NOVIDADE

O Mapa não é nenhuma novidade nem uma invenção nossa. É apenas uma nova versão de uma ferramenta que já existe: listas e mapas de projetos abertos que QUEREM estar acessíveis a um público anarquista ou não. Basta ver que nosso mapa não é nem mesmo o primeiro nem o único circulando por aí. A agenda Slingshot divulga há décadas uma lista com espaços autônomos de cada país. Alguns de nossos membros do coletivo estão envolvidxs com esse tipo de espaço há mais 15 anos e muitas pessoas de diferentes cidade (e países!) bateram em nossas portas por causa desse tipo de lista para conhecer, somar e fortalecer laços. Se não houvesse essa lista, a polícia continuaria sabendo de nossa existência e nosso endereço, mas essas pessoas não.

E SUA CULTURA DE SEGURANÇA?

O que estamos fazendo com o Mapa de Coletivos condiz totalmente com nossa política de segurança e (acreditamos) com a de quem está no Mapa. Em primeiro lugar, não simplesmente saímos adicionando grupos sem perguntar. Pelo contrario, o que tem acontecido é que enviamos convites e os coletivos nos escrevem para serem adicionados! Não colocaremos dados de grupos que não pediram para estar lá. Inclusive os grupos que constam com endereço lá, tiveram seus dados e endereços enviados diretamente para nós para serem adicionados. E agora com o mapa, o trabalho ficou mais fácil porque as pessoas podem adicionar seus grupos, e apenas ficamos com o trabalho de “moderar”, caso seja um partido, um grupo fascista, etc. Caso algum grupo tenha sido adicionado sem o consentimento dos seus membros (se foram adicionados através e-mails de pessoas que não participam do grupo ou seja por quais motivos forem), ou quando decidirem não fazer mais parte por qualquer razão, pedimos que entre em contado imediatamente e retiraremos seu contato do mapa.

O e-mail é: paramudartudo@riseup.net

MAS UM MAPA NO GOOGLE?

Sim, infelizmente -_-‘

Estamos tentando melhorar isso. Testamos inúmeras plataformas ótimas, desenvolvidas em código aberto e software livre mas essa foi a única que funcionou no site do projeto. E é hospedada em um mapa do Google. Continuamos nossa busca e sugestões serão sempre bem vindas. Não somos profissionais pagxs para escrever, gerir páginas ou sites, fazer vídeos ou eventos. Fazemos tudo isso porque queremos e com as soluções que encontramos e carregando os defeitos que ainda não pudemos corrigir. Mas é sempre um trabalho incompleto a ser sempre melhorado.

E o fato de ainda usarmos uma ferramenta do Google para esse mapa não é “escondido” de ninguém e esperamos que as pessoas se sintam à vontade para aderir ou não. Mas o que tem acontecido é o contrário: cada dia mais coletivos se inscrevem no mapa.

E NÃO DEVEMOS SER TODXS INVISÍVEIS?

Talvez alguém pergunte: mas não seria burrice ou um “desserviço”, não apenas fazer um mapa, mas que todos esses grupos estejam na internet, com tanta repressão e mapeamento?

Bom, achamos que não. Se a polícia quer encontrar e mapear os coletivos, eles já estão fazendo isso e nosso mapa deve estar até desatualizado em relação ao deles se pensarmos em como essas coisas funcionam.

E ainda resta a pergunta: quando colocarmos outro mapa não-corporativo, qual a melhoria na segurança quando o assunto é o quanto os agentes da repressão sabem sobre nós? Os dados não continuarão públicos e acessíveis inclusive para agentes do Estado (e do Google!)? Para os coletivos que escolheram estar no mapa, qual a diferença de constar seu projeto em um mapa usando plataforma Google e de fazer um “evento” ou divulgar qualquer atividade no Facebook? Não é uma forma de mapeamento e de integrarmos o algoritmo dessas corporações? Devemos boicotar todas elas ou avaliar quando é útil utilizá-las da forma menos insegura possível?

Cremos que não há diferença substancial entre estar ou não no mapa para grupos que são abertos e divulgam seus dados na internet. Mas cada coletivo vai escolher a forma de publicidade que melhor lhe cabe e que atende às suas demandas por segurança. E é preciso respeitar a autonomia e a escolha desses coletivos que escolheram usar ferramentas corporativas para contatar e estarem acessíveis para além dos meios anarquistas, mesmo sob uma maior chance de estarem sob vigilância.

Não acreditamos estar “expondo” ninguém. Esses grupos já estão localizáveis na internet, com e-mails, sites e até (triste mas real) páginas no Facebook! (um segredo sujo: infelizmente também temos uma!). Mas o trabalho é alcançar nova pessoas né, inclusive para falar e sugerir meios seguros como e-mail do riseup.net ou ferramentas como o we.riseup.net.

Não pretendemos também divulgar coletivos que não querem estar no mapa, muito menos grupos que praticam alguma ação direta ilegal ou algo que possa levar alguém pra cadeia. Os coletivos ali estão fazendo atividades abertas, públicas e acessíveis a quem não compartilha os meios e as ferramentas que anarquistas mais velhxs tem familiaridade. É importante pensarmos que se quisermos estar acessíveis para outras pessoas devemos saber equilibrar invisibilidade para nossos inimigos e visibilidade para futurxs amigxs. Afinal, ainda não é crime ter editoras, espaços autônomos, cooperativas, cineclubes, etc. Todas essas são ferramentas para nos colocar em contato com novas pessoas.

Acreditamos que tudo o que podemos mostrar, devemos mostrar. Inclusive para ganhar legitimidade com o senso comum e estar acessível para outras pessoas interessadas. Se estamos apenas invisíveis, quem vai se solidarizar conosco e com nossa luta quando a repressão vier? Ou como vamos encontrar novas pessoas?

É só pensar em como foram os levantes de 2013. Eles teriam acontecido se apenas coletivos e movimentos ultra secretos estivessem indo para a rua? Ou sem a profundidade política de alguns movimentos (com páginas e eventos nas mídias sociais) combinado à radicalidade de grupos anônimos praticando ações radicais nas ruas? E o apoio dado de um tipo de grupo ao outro? Vamos escrever pra todos esses movimentos pedindo que apaguem suas páginas e não marquem mais eventos nos meios comerciais? Não seria uma má ideia, mas seria possível por agora?

NÍVEIS DE SEGURANÇA

Para nos comunicar e nos organizarmos com segurança, existem plataformas que já nos dão todas as ferramentas. Mas ainda vamos usar ferramentas capitalistas e inseguras para transmitir nossas informações e chamados. Cada tipo de atividade demanda um nível de segurança, visibilidade ou invisibilidade. Não é estratégico colocar tudo no mesmo saco e usar o mesmo nível de segurança para tudo.

Temos que saber escrever nossos mapas, ocupar nossos territórios, estejam eles nos mapas da repressão ou não. Devemos mostrar o que queremos e saber esconder o que não queremos. Isso se torna mais importante ainda na era das mídias sociais e smartphones, onde todo mundo tem um microfone e câmera no bolso prontos para transmitir ao vivo tudo o que fazemos e falamos.

Não devemos ter medo (apenas), mas podemos saber como lidar com a diversidade de táticas e opiniões. Se você quer manter todas as suas atividades, seja uma cooperativa vegetariana (totalmente legal) ou um coletivo que faz pixações e destrói publicidades de grandes corporações (ilegal) em segredo, essa é uma opção sua e de quem faz as coisas com você. Devemos saber respeitar e confiar nas escolhas e níveis de segurança de outrxs compas enquanto mantemos um pensamento crítico sobre o assunto. Uma boa cultura de segurança é sobre achar o equilíbrio entre nossas diferentes frentes de ação. É sobre criar um procedimento seguro (ou mais seguro) e não alimentar paranoias. Sim, talvez estejamos todxs sob vigilância. Mas como continuar nossa política e nossa radicalidade mesmo quando todas as câmeras apontarem para nós?

Vamos nos ajudando e nos apoiando.

Para saber mais do que pensamos e das ferramentas que acreditamos contribuir para nossa segurança enquanto continuamos perigosxs para o sistema, aqui vai um textinho bom:

Cultura de Segurança & Utopias Digitais – por Facção Fictícia

Para sugerir outras ferramentas para o Mapa de Iniciativas, escreva para:

paramudartudo@riseup.net

Mapa_2016

Já está no ar o novo Mapa de Coletivos e Iniciativas Libertárias no site do projeto Para Mudar Tudo!

Acesse aqui para ver e adicionar seu projeto!

Desde o início, ele faz parte do projeto para que pessoas que tiveram contato com o folheto possam saber mais sobre grupos praticando a anarquia em suas comunidades. No entanto, o primeiro Mapa era apenas uma lista de coletivos brasileiros separados por estado. Agora ele é um mapa de verdade! E interativo: pessoas podem adicionar novos projetos e coletivos e seus contatos no mapa. As alterações estarão sujeitas a moderação para garantir que apenas projetos libertários, horizontais, autônomos e apartidários façam parte do mapa.

Se não quiser ou puder acessar o mapa, envie um email para:
paramudartudo@riseup.net

Coloque nome, cidade, estado e contato do coletivo ou projeto do qual você faz parte e adicionaremos ele à lista.

Mais sobre o Mapa de Coletivos:

Existiram e sempre existirão tantos anarquismos quantos forem necessários. Em cada lugar ou frente a cada necessidade, pessoas assumem práticas e posturas diversas. E nossa força esta em construir pontes e a cooperação entre elas.

É necessário um pouco de criatividade e um tanto de ambição para extrapolarmos de nossas relações mutuamente benéficas, entre duas ou mais pessoas, para um coletivo maior e, então, desse coletivo para vários coletivos no espaço, e assim para todo um território.

coopAgricultura ecológica, saúde natural, hortas comunitárias, grupos de apoio e de desconstrução de gênero, grupos de estudos ou que treinam auto-defesa, cooperativas de culinária vegana, hackerativismo e segurança na internet, gestão de espaços autônomos, editoras e distribuidoras de materiais radicais, cursos gratuitos e colaborativos. A diversidade das frentes e modos de ação é necessária para suprir tudo que nossa existência (e resistência!) precisa e deseja. E é dessa diversidade de iniciativas que se criam laços e redes, capazes de se nutrir e intercambiar conhecimentos, ferramentas e alimentos.

Para saber quais formas de atuação correspondem a suas necessidades, entre em contato com algum grupo perto de você. Busque referências, peça ajuda, ofereça ajuda, se envolva, encontre outras pessoas com as mesmas ideias e necessidades que você, busque realizar seus planos e desejos, peça ajuda e aprenda com a experiência passada de outras pessoas. Não pense apenas no que anarquistas fazem ou fizeram, mas principalmente no que você e quem está ao seu redor ainda podem fazer. Há muito mais caminhos não trilhados esperando pessoas corajosas o suficiente para encará-los.

A desobediência é necessária para a criatividade e o futuro não está escrito!

Para mudar tudo, comece de algum lugar.

FronteirasNao

Em Paris, no dia 13 de novembro, 129 pessoas foram mortas com bombas e em tiroteios coordenados, pelos quais o grupo Estado Islâmico (ISIS) reivindicou responsabilidade. Apesar de ser apenas o último de uma série de ataques, os ataques à capital francesa chamaram um tipo diferente de atenção em comparação aos massacres em Suruç e Ankara, que mataram 135 pessoas. As vidas dos jovens ativistas que apoiam a luta Curda contra o Estado Islâmico – até agora o único esforço tático em terra que tem bloqueado a expansão do Estado Islâmico – parecem ter peso diferente em comparação às vidas dos Europeus Ocidentais.

O mesmo vale para as vidas des outrs milhões de pessoas mortas ou que foram obrigadas a fugir de suas casas na Síria. Nacionalistas Europeus não perderam tempo para começar a buscar uma ligação entre os ataques de Paris e a crise de refugiados. As manchetes Britânicas diziam “Jihadistas entraram na Europa escondidos como falsos refugiados Sírios”, alegando que um passaporte achado com um dos assassinos pertencia à um refugiado que entrou pela Grécia. Estes oportunistas esperam usar o sangue ainda fresco nas ruas para concluir seu projeto de trancar a “Fortaleza Europeia”.

Um exemplo inspirador: YPJ, as Unidades de Mulheres Curdas, um dos únicos grupos que ficaram para resistir e combater o Estado Islâmico

Um exemplo inspirador: Brigadas de Mulheres Curdas, no norte da Síria. Um dos únicos grupos que ficaram para resistir e combater o Estado Islâmico

Ironicamente, a maioria das pessoas tentando entrar na Europa, vindas do Oriente Médio, estão fugindo de ataques similares orquestrados pelo ISIS. É por esta razão que eles tem arriscado suas vidas, cruzando fronteira após fronteira para chegar à uma Europa que não os quer. Interromper sua fuga iria prende-los em território controlado pelo ISIS, aumentando consequentemente os recursos do Estado Islâmico e alimentando frustrações que levam pessoas à se envolverem com o fundamentalismo Islâmico.

Com certeza isto estava claro para as pessoas que planejaram os ataques. Talvez até estivesse entre seus objetivos.

Existe uma simetria sinistra entre os programas dos nacionalistas europeus e os dos fundamentalistas do Estado Islâmico. Os nacionalistas querem ver o mundo dividido em comunidades fechadas, nas quais a cidadania serviria como um tipo de sistema de castas. A história europeia mostra que, em um mundo dividido, a solução final para todos os problemas é a guerra. Os fundamentalistas, por outro lado, esperam reivindicar a identidade Islâmica como a base de uma jihad global.

A respeito disso, a única real diferença entre o ISIS e os nacionalistas Europeus é somente se o critério para a inclusão na nova ordem mundial deve ser a nacionalidade ou a religião. Ambos, ISIS e os nacionalistas europeus, querem ver os conflitos do século 21 acontecerem entre povos claramente definidos, governados por poderes rivais, não como governantes e governados, como um todo. Ambos querem forçar os refugiados a escolherem um lado na guerra entre governos Ocidentais e o Estado Islâmico, ao invés de participar na luta de mudança social de base, uma vez prometida pela Primavera Árabe.

É claro que, com o fechamento da “Fortaleza Europeia”, a próxima onda de ataques aéreos contra países como a Síria vai ser encarada como uma maneira de manter os Europeus à salvo dos imigrantes bárbaros, não como uma escalada no conflito mundial. Mas poderão as fronteiras proteger as populações contra ataques como aqueles de Paris? A “guerra ao terror” fez do mundo um lugar mais seguro?

FronteirasAcolaQueNosSepara

“Fronteiras: o elo que nos separa”

Vamos voltar à 11 de Setembro de 2001, quando a Al-Qaeda realizou ataques em Manhattan e Washington, DC. Em resposta, o então presidente George W. Bush levou os Estados Unidos às invasões militares do Afeganistão e do Iraque, na intenção de fazer o mundo “mais seguro para a democracia”, retórica retirada de um outro presidente, chamado Woodrow Wilson, que procurou justificar uma guerra para acabar com todas as guerras, enquanto demonizava os imigrantes.

Uma das justificativas de Bush era que ocupando estes estados rebeldes os militares poderiam desativar as áreas de preparação de onde os atos de terrorismo eram coordenados. A administração Bush propunha proteger cidadãos através da mesma violência indiscriminada que produziu tanto ressentimento contra os Estados Unidos.

Anarquistas não aceitaram esta versão. Em resposta aos ataques de 11 de Setembro e as operações militares que se seguiram, cobrimos as paredes por todo o país com posteres dizendo “Seus lideres não podem te proteger, mas eles podem te matar”. Como previmos, as ocupações no Iraque e Afeganistão apenas desestabilizaram o Oriente Médio, fomentando novas gerações de soldados Islâmicos amargurados. Assim como a Al-Qaeda foi originalmente fundada e treinada pela CIA, hoje o ISIS está armado com o mesmo equipamento militar enviado ao Iraque para impor o controle dos EUA sobre a região. Assim como escrevemos em 2006 no jornal Rolling Thunder #3, a administração Bush não poderia ter sido mais efetiva em criar a resistência Islâmica, nem se esse fosse seu objetivo explícito:

poster500A mera dominação mundial não tem utilidade para um regime repressivo. Quando não existirem grupos de bárbaros aos portões para apontar qual dos dois males é o maior, os indivíduos começarão a ficar inquietos – testemunhemos a década após a queda do muro de Berlim, quando a resistência interna cresceu muito no vácuo deixado pela “ameaça Comunista”. A guerra sem fim faz as pessoas ficarem inquietas, mas também as deixa ocupadas, reagindo a ela quando não estão morrendo nelas, ao invés de chegar à raiz do problema.

O Islã militante, uma vez que foi uma empreitada de pequeno porte, é finalmente hoje uma ameaça global, pronta para substituir o bloco comunista. O capitalismo ocidental tem estendido tanto sua influência e controle, que a oposição externa agora deve vir de antigos cantos periféricos do mundo, como o Afeganistão. Um pequeno grupo de fanáticos daquela periferia foi o suficiente para inaugurar a nova era de “Terror contra Democracia” em 2001, mas vai ser necessário muitos mais fanáticos para mante-la, e a atual politica externa dos EUA vai produzi-los.”

Intensificar a segurança e o controle de fronteiras só irá agravar as tensões que impulsionam as pessoas para as fileiras do ISIS na França e na Grã-Bretanha, assim como no Iraque e na Síria. Tornar mais rígidas as fronteiras na Europa significa tornar mais rígido todos os aspectos da vida dentro delas. Forças especiais foram enviadas para apoiar a policia Britânica; O comissário de polícia da cidade de Nova York espera aumentar a vigilância de dispositivos de comunicação; O ex-presidente Francês Nicolas Sarkozy quer impor que qualquer pessoa suspeita de “radicalismo” use uma etiqueta eletrônica. Isto não é só uma questão de como os refugiados são tratados, mas de como a vida vai ser para todos em uma era de um sempre crescente controle estatal.

"O novo normal"

“O novo normal”

Os ataques em Paris são convenientes para aqueles que tem lutado para reprimir mobilizações sociais. Quando Hilary Clinton diz “Nós não estamos em guerra contra o Islã, nós estamos em guerra contra o extremismo violento”, a implicação é que todos que se posicionam contra o fechamento das fronteiras serão tratados como extremistas violentos [N.T. Principalmente refugiados]. Nos Estado Unidos, a Guarda Nacional foi enviada três vezes nos últimos dois anos para reprimir protestos contra os assassinatos cometidos por policiais – não é somente o ISIS que mata pessoas. Na Europa, aonde aconteceram protesto fortíssimos contra os programas de austeridade, 68 anarquistas foram presos pelo governo espanhol sob acusação de terrorismo nos últimos 3 anos – em retaliação ao fato de participarem de movimentos sociais, não por ataques à civis.

De Washington e Paris, à Raqqa e Mosul, aqueles que mantêm o poder não tem soluções reais para as crises econômicas, ecológicas e sociais de nosso tempo. Eles estão mais focados em reprimir os movimentos sociais que os ameaçam. Mas sempre que tais movimentos são destruídos, o descontentamento será canalizado em organizações como o ISIS, que procura resolver seus problemas através da guerra sectária, ao invés de mudança coletiva revolucionária.

O fechamento das fronteiras só pode fazer as coisas piorarem. Controles de fronteiras mais rígidos não vão nos proteger de ataques como o de Paris, embora eles aumentem cada vez mais as mortes de imigrantes. Ataques aéreos não vão evitar atentados suicidas, mas irão produzir novas gerações que nutrem o ódio contra o ocidente. A vigilância governamental não vai descobrir todos os planos de atentados, mas terá como alvo os movimentos sociais que oferecem uma alternativa ao nacionalismo e à guerra.

Se os defensores da “Fortaleza Europeia” tiverem sucesso em nos reprimir e nos segregar, nós certamente vamos terminar lutando uns contra os outros: dividir e conquistar. Nossa única esperança é a de estabelecer uma causa comum contra os nossos governantes, construindo pontes que vão além das fronteiras da cidadania e da religião antes que o mundo esteja encravado no bloco de guerra dos açougueiros políticos.

Neste contexto, nós podemos nos inspirar em todas as pessoas que desafiaram as fronteiras nesses últimos meses, demonstrando que essas divisões artificiais podem ser vencidas. Em Agosto, centenas de pessoas atravessaram à força a fronteira da Grécia até a Macedônia. Em Setembro, quando trens supostamente trazendo imigrantes através da Hungria até as fronteiras Austríacas acabou em um campo de concentração cercado por cercas e polícia de choque, os imigrantes se trancaram dentro do trem, recusaram comida e água e conseguiram atravessar a cerca, escapando através dos campos até a rodovia. Em Outubro, mais de cem pessoas invadiram o Eurotunel, que liga a França à Inglaterra. À poucas semanas atrás, milhares de pessoas repetidamente atravessaram os cordões policiais separando a Eslovênia da Áustria. Em cada um destes casos nós vemos pessoas trabalhando juntas para achar vulnerabilidades nas paredes que dividem a humanidade. Se não fosse pelo esforço dessas pessoas, nós podemos ter certeza que os governos Europeus teriam cedido ainda menos em dar apoio aos refugiados.

Ao abrir as fronteiras e apoiar os que as atravessam, nós podemos mostrar àquelas pessoas que estão fugindo da Síria – e do México, e de todas as outras zonas de conflito do mundo – que elas tem companheirxs do outro lado das cercas. Esta é a nossa melhor esperança, encorajando-as a confiar na solidariedade conjunta e desistirem de se juntar a grupos como o ISIS. Da mesma forma, quanto mais perturbamos os aparelhos de segurança e a máquina de guerra, menos o ISIS terá como apelar a potenciais membros apontando o mal que os governos Ocidentais tem infringido aos Muçulmanos ao redor do mundo. Todas as vezes que fazemos isso, nós tomamos a iniciativa de definir a luta essencial da nossa era: não Terroristas contra Governos, não Islã contra o Ocidente, mas toda a humanidade contra as estruturas e ideologias que nos colocam uns contra os outros.

"Um exemplo de como transpor fronteiras globais"

“Um exemplo de como transpor fronteiras globais”

CrimethInc – Ex-Workers Collective

traduzido do artigo: http://crimethinc.com/texts/r/protect/